Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

ADOÇÃO E USO DO LECIONÁRIO

A ACUSAÇÃO COMUM:

"A adoção e uso do Lecionário pela Igreja é totalmente inútil e descabida, além de 'engessante'! Basta-lhe a leitura corrida, de improviso ou aleatória de passagens bíblicas!"

A VERDADE, CÁ:



"A liturgia da palavra é parte integrante das celebrações sacramentais. Para alimentar a fé dos fiéis, os sinais da Palavra de Deus precisam ser valorizados: o livro da palavra (lecionário ou evangeliário), sua veneração (procissão, incenso, luz), o lugar de onde é anunciado (ambão), sua leitura audível e inteligível, a homilia do ministro que prolonga sua proclamação, as respostas da assembléia (aclamações, salmos de meditação, ladainhas, profissão de fé...)" (Catecismo da Igreja Católica, §1154).

"Uma pessoa não deveria se aproximar da mesa do Pão do Senhor sem antes ter estado na mesa de Sua Palavra. A Sagrada Escritura, é portanto da maior importância na celebração da Missa. Consequentemente não pode ser ignorado o que a Igreja estabeleceu de modo a assegurar que 'nas sagradas celebrações haja uma mais ampla, variada e adequada leitura das Sagradas Escrituras'. As normas estabelecidas no Lecionário no que diz respeito ao número de leituras e as diretivas dadas para ocasiões especiais devem ser observadas. Seria um sério abuso trocar a Palavra de Deus pela palavra do homem, não importando que autor possa ser" (Instrução "Inaestimabile Donum", nº 1).

AS SEMENTES DA VERDADE, LÁ:

I. "Um lecionário é um livro de leituras bíblicas dos ofícios divinos da Igreja envolvendo um ciclo anual. (...)
O lecionário nos conduz ao ritmo das estações e expectativas não deste mundo.
É o tempo dos céus que nos chama a atenção lembrando os santos e as estações.
As escrituras são determinadas para os domingos e dias festivos; para cada dia da quaresma e para as semanas santas elevando o povo para os vários ofícios da Igreja como para a benção dos óleos e outros sacramentos como, por exemplo, batismos e funerais. (...)
A mais primitiva prova do uso do sistema lecionário podem ser os próprios Evangelhos. M.D.Goulder sugeriu que a construção de São Mateus, apóstolo e evangelista segue o ciclo judaico das leituras do Tora. (...)
Enquanto alguns debatem esta tese, poucos duvidam que os primeiros cristãos usassem um ciclo lecionário para um ou três anos, mas a necessidade de incluir as histórias do Evangelho de Jesus na vida e na consciência da comunidade judaico-cristã foi uma força determinante que pode ter culminado com a criação de uma harmonia evangélica.
Conhecido no mundo ocidental como DIATESSERON [de Taciano da Síria] pode ter sido esta a tentativa de resolver a crise lecionária e enquadrou a vida de Jesus numa narrativa contínua dividida em 55 capítulos. Isto coincide com o número de semanas do ano mais algumas para o Natal e a Páscoa.
O problema desta tese é o desentendimento sobre a data do DIATESSERON. (...)
As leituras do lecionário não são só para bispos, padres e diáconos, mas para todos os membros da Igreja. Cada fiel cristão deve ler as suas leituras diárias.
Que melhor preparo pode existir para a Divina Liturgia do que a prática das leituras antes de assistir qualquer ofício de adoração?" (JOHNSON,Dale A. [Sírio-Ortodoxo]. "O que é um Lecionário". Site da Igreja Siríaca Ortodoxa Santa Maria [acessado em 09.01.2009).

"Lecionário é uma coletânea de leituras bíblicas, criteriosamente escolhidas para as diferentes ocasiões em que a comunidade cristã se coloca sob a palavra de Deus. Ao trabalharmos o tema do lecionário, integramo-nos num movimento milenar na igreja cristã.
A prática da liturgia da palavra é atestada pelos textos apostólicos (como At 2.42s.) e pós-apostólicos (como Didaqué, Apologia Primeira de Justino, Tradição Apostólica de Hipólito, entre outros). A liturgia da palavra é herança judaica; já no judaísmo antigo há textos fixos e previstos para os sábados e as suas festas.
É do tempo de Ambrósio, de Milão, o mais antigo lecionário de que se tem notícia (entre os anos 337-377), seguido do lecionário romano (366-604), armênio (417) e de Jerusalém (417-439).
O valor de um lecionário é indiscutível! Ele protege a comunidade e os pregadores da escolha de textos bíblicos por predileção; exige preparo homilético e litúrgico; possibilita que músicos, regentes, artistas plásticos e pregadores preparem, com antecedência, hinos, cânticos, estandartes, indumentárias, paramentos e sermões; propõe a leitura da Bíblia em doses viáveis e expõe a comunidade a uma considerável quantidade e variedade de textos bíblicos" (IGREJA EVANGÉLICA DE CONFISSÃO LUTERANA DO BRASIL. "Lecionário Comum Revisado da IECLB". São Leopoldo:Oikos, 1ª ed., 2007, p.5).

"O lecionário é comum às igrejas católicas e às igrejas do protestantismo tradicional do nosso mundo lusófono, embora se notem por vezes pequenas diferenças. Embora separados pelas suas organizações e pela sua teologia, o estudo bíblico dominical e as pregações representam um importante elo de ligação entre grande parte dos cristãos" (Site "Estudos Bíblicos Sem Fronteiras Teológicas" [Protestante/Interdenominacional], acessado em 09.01.2009).

"À falta de melhor designação, tem-se chamado 'Igrejas históricas' às Igrejas que têm as suas raízes na Reforma ou muito para além do século XVI: Igreja Ortodoxa, Igreja Católico-Romana, Igreja Luterana, Igreja Presbiteriana ou Reformada, Igreja Anglicana, Igreja Congregacional e, por manter muito da herança anglicana, a Igreja Metodista. Nestas Igrejas é publicada periodicamente uma lista de textos bíblicos que proporciona as leituras que são feitas em cada Domingo. A tal lista chama-se leccionário, palavra que vem do latim 'lectio', 'lectionis', e refere-se às lições para a Igreja. Diz-se 'leccionário litúrgico' porque as leituras indicadas são para uso no culto público cristão. O leccionário indica para cada semana uma passagem do Antigo Testamento; outra de uma Epístola, livro de Actos ou Apocalipse e uma do Evangelho. É indicado também um Salmo, ou uma porção dele. Nos primeiros séculos do Cristianismo, lia-se o Livro de Actos entre a Páscoa e o Pentecostes, usando-se os textos para pregação. A partir do século VI começaram a ser publicados os leccionários.
Por muitos séculos, o leccionário tinha textos apenas para um ano; depois alargou-se para três anos, chamados Ano A, Ano B e Ano C. Desde há alguns anos vem-se discutindo (e julgo que trabalhando) para que o leccionário abranja cinco anos.
Entre outras famílias de Igrejas (baptistas, irmãos, pentecostais, etc.) só alguns pregadores farão a título pessoal uso do leccionário (...)
Alguns argumentam que não há sinais no Novo Testamento de que a Igreja Primitiva usasse algum tipo de leccionário. Não é um argumento muito forte, porque se nos limitarmos a fazer apenas o que se provar ter sido feito pelos primeiros cristãos temos de desistir de ter templos ou santuários ou casas de oração – e muitas Igrejas evangélicas vivem preocupadas com construir grandes templos. Também não podemos imaginar os primeiros cristãos a gastarem dinheiro com aparelhagem sonora, bandas de música, órgãos, pianos. E seria inconcebível que um pregador subisse ao púlpito de casaco (terno, paletó) e gravata! A Igreja cristã é uma realidade histórica e vai adquirindo, muito correctamente, mudanças ao longo dos séculos – desde que tais mudanças não se oponham à mensagem cristã. (...)
Passo a enumerar os benefícios que encontro no uso do Leccionário:
1º - As várias congregações lêem no mesmo Domingo as mesmas lições da Escritura. É um pequeno sinal da proclamação bíblica de que fomos chamados a ser um só povo, seguindo um só Senhor. O uso do Leccionário é um esforço para a unidade da Igreja.
2º - Ainda que cada pregador faça mensagens diferentes com os mesmos textos bíblicos, é impossível que no conjunto não soa um pensamento comum, denominador comum, que é um testemunho forte do discipulado cristão.
3º - O Leccionário combate o individualismo do pregador e da congregação. O pregador tem a oportunidade de evadir-se do egocentrismo que o leva a escolher um texto que julga compreender muito bem. O professor Paolo Ricca, no seu livro 'Pregar Hoje o Evangelho', lembrava que o uso do Leccionário 'oferece a vantagem de eliminar o arbítrio e o subjectivismo do pregador na escolha do texto' (p.41). Quanto à congregação, sabendo-se sob uma lição comum a outras, liberta-se da visão de 'gheto'.
4º - Os pregadores têm a oportunidade de estudar em conjunto os textos de cada Domingo, encontrando materiais auxiliares que os ajudam a aprofundar o que estudam. Quando o hebraico e o grego do Seminário já se reduziram a vagos conhecimentos, os pregadores têm a oportunidade de ler estudos de especialistas sobre os textos marcados no Leccionário. Numa região, os pastores e outros pregadores de denominações que seguem o leccionário, podem reunir-se e fazer juntos a exegese dos textos, com proveito para todos. Obviamente, depois cada um fará o seu próprio sermão, mas com um fundamento mais sólido.
5º - As Igrejas que publicam leccionários publicam também, semanalmente, mensalmente ou em volume para o ano inteiro, estudos que auxiliam os pregadores – e essa é outra das vantagens do leccionário, proporcionar aos especialistas a reflexão continuada dos textos bíblicos. Os jornais, revistas, livros que são publicados ficam acessíveis não apenas a quem tem a missão de pregar mas também a qualquer irmão ou irmã que tenha suficiente curiosidade para estudar os textos de cada Domingo. E isso concorre para uma maior edificação do povo de Deus" (CARDOSO, Manuel Pedro. "Leccionário Litúrgico". Site "Estudos Bíblicos Sem Fronteiras Teológicas" [Protestante/Interdenominacional], acessado em 09.01.2009).

"O lecionário consiste em um sistema organizado de leituras bíblicas para o culto, que acompanha o desdobramento do ano litúrgico. (...)
O uso do Lecionário nos Cultos Dominicais:
1) restabelece a centralidade da Palavra de Deus no culto. Um dos meios comprovados para sanar o analfabetismo bíblico de nosso tempo consiste em adotar o uso de um lecionário na igreja.
2) estimula o preparo de sermões expositivos dos textos bíblicos, nutrindo assim o povo com 'o genuíno leite espiritual' da Palavra de Deus, para seu crescimento em Cristo.
3) facilita o planejamento do culto com antecedência, contribuindo para sua unidade em torno do tema abordado nas leituras. Assim, os elementos do culto - sermão, hinos, canto-coral e orações - proclamam a uma só voz, a graça e a verdade de Deus.
4) serve como guia para os membros e grupos da igreja, que desejam se preparar de antemão para o culto, lendo e estudando os textos a serem usados. Algumas igrejas locais noticiam as leituras para o domingo seguinte no boletim ou num quadro de avisos, a fim de incentivar os membros a se prepararem para uma participação mais consciente no culto" (Site "Gustavo Pax" [Presbiteriano], acessado em 09.01.2009).

"O uso de um lecionário proporciona consistência nas leituras, garantindo que no decorrer do ano, o testemunho pleno da Bíblia será ouvido no culto.
O Lecionário consiste em um sistema organizado de leituras bíblicas para o culto, que acompanha o desdobramento do ano litúrgico" (Site "Culto Cristão" [Reformado], acessado em 09.01.2009).

II. Sites oferecendo acesso a Lecionários protestantes:



- Lecionário Comum Revisado" [Luterano] (acessado em 09.01.2009).

- Lecionário Litúrgico Presbiteriano [Presbiteriano / Reformado] (acessado em 09.01.2009)

- Lecionário Reformado" [CMI / CONIC / Igreja Presbiteriana Unida / Igreja Episcopal Anglicana do Brasil] (acessado em 09.01.2009).

PARA SABER MAIS:


Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

A PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA

A ACUSAÇÃO COMUM:

"A Eucaristia é mero símbolo. Logo é impossível Cristo estar realmente presente nas espécies eucarísticas".

A VERDADE, CÁ:



"O modo de presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz com que ela seja 'como que o coroamento da vida espiritual e o fim ao qual tendem todos os sacramentos'. No santíssimo sacramento da Eucaristia estão 'contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo'. 'Esta presença chama-se 'real' não por exclusão, como se as outras não fossem 'reais', mas por antonomásia, porque é substancial e porque por ela Cristo, Deus e homem, se torna presente completo'" (Catecismo da Igreja Católica, §1374).

AS SEMENTES DA VERDADE, LÁ:

"Na Ortodoxia as pessoas recebem sempre a eucaristia nas duas espécies, ou seja, sempre o corpo e o sangue de Cristo. Acredita-se plenamente na presença real de Cristo na eucaristia e o pão se torna realmente (e não simbolicamente) o corpo de Cristo e o vinho realmente o sangue de Cristo" (WARE, Timothy [Ortodoxo]. "Os Sacramentos na Ortodoxia". Site "Ortodoxia 2000", acessado em 06.01.2009).

"A Divina Liturgia divide-se em:
Sacrifício: no sentido de que realiza de modo incruento o mesmo sacrifício da Cruz;
Sacramento: no sentido de que, manifesta-nos como sinal vivo a presença real do Senhor Jesus, através das espécies do pão e do vinho" (Pe. André [Ortodoxo]. "A Oração Oficial da Igreja Ortodoxa". Site "Ecclesia", acessado em 06.01.2009).

"Confesso que o dr. Karlstadt ou qualquer outro me teria prestado um grande serviço, se, há cinco anos, tivesse provado que no Sacramento só havia pão e vinho. Naquela ocasião tive grandes vexames e lutei e torci por encontrar uma saída, pois vi que com isso podia dar o maior golpe contra o Papado. Também havia dois que eram mais hábeis que o dr. Karlstadt e que não martirizavam tanto as palavras segundo seu próprio parecer. Mas estou preso, não encontro saída. O texto é tão majestoso que com palavras não se deixa tirar da mente" (Martinho Lutero [Reformador Protestante]; De Wette, II-576ss).

"Eu quereria que alguém fosse assaz hábil para persuadir-me de que na Eucaristia não se contém senão pão e vinho: esse me prestaria um grande serviço. Eu tenho trabalhado nessa questão a suar; porém confesso que estou encadeado, e não vejo nenhum meio de sair daí. O texto do Evangelho é claro demais" (Martinho Lutero [Reformador Protestante]; De euch. dist. I).

"As palavras e gestos de Cristo na instituição da eucaristia estão no coração da celebração: a refeição é o sacramento do corpo e do sangue de Cristo, o sacramento da sua presença real. Cristo cumpre de modos múltiplos a sua promessa de estar com os seus para sempre até ao fim do mundo. Mas o modo da presença de Cristo na eucaristia é único. Jesus disse sobre o pão e o vinho da eucaristia: "Isto é o meu corpo... Isto é o meu sangue..." O que Cristo disse é a verdade e cumpre-se todas as vezes que a eucaristia é celebrada. A Igreja confessa a presença real, viva e ativa de Cristo na eucaristia. Ainda que a presença real de Cristo na eucaristia não dependa da fé dos indivíduos, todos estão de acordo para dizer que o discernimento do corpo e do sangue de Cristo exige a fé" (CONSELHO MUNDIAL DAS IGREJAS, "Texto de Lima: Convergência da Fé", 1982).

"A vida de adoração da Igreja é centrada na Santa Eucaristia, na Santa Comunhão do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Livro de Oração Comum afirma que a Santa Eucaristia é o ato central de adoração do povo de Deus. Ao participarmos da mesa eucarística, experimentamos a graça da comunhão maravilhosa com Deus, nutrindo-nos, por sua presença real, nos dons do pão e vinho. Nós não explicamos onde está e quanto de Deus há no pão e no vinho. Apenas afirmamos que sacramentalmente nos alimentamos do próprio Deus que se oferece a nós por seu infinito e misericordioso amor. Pão e Vinho são os sinais externos visíveis da graça interna espiritual da presença de Cristo em nós, quando Dele nos nutrimos" (Site da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, acessado em 06.01.2009).

"O centro do culto cristão ortodoxo é a Eucaristia, nela a presença real de Cristo em nossas vidas se concretiza. A mesa do Senhor é composta do pão e do vinho, que continuam sendo pão e vinho, mas recebem a Presença Real de Cristo. Assim apresentar-se a Eucaristia é comparecer na presença real de Cristo, o que deve ser feito em confissão, aquebrantamento e certeza de que Cristo roga por nós" (Site da Igreja Episcopal Carismática do Brasil, acessado em 06.01.2009).


PARA SABER MAIS:

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

PEDRO CRUCIFICADO DE CABEÇA PARA BAIXO

A ACUSAÇÃO COMUM:

É completamente infundada e absurda a Tradição católica que afirma que o Apóstolo Pedro foi crucificado de cabeça para baixo.

A VERDADE, CÁ:

Antiquíssimos escritores eclesiásticos informam:



"Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve fosse crucificado de cabeça para baixo" (Orígenes [+séc.III], Com. in Genes. 3).

"Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo" (Eusébio de Cesaréia [+séc.IV], História Eclesiástica 3,1).

AS SEMENTES DA VERDADE, LÁ:

Diversas comunidades protestantes reconhecem que Pedro foi de fato crucificado de cabeça para baixo, como se verifica nas seguintes fotos:



Chaves entregues a Pedro, em forma de cruz invertida - Igreja Episcopaliana de São Pedro de Charlotte, Nova Carolina, EUA (http://www.st-petersweb.org/)


Vitral contendo os símbolos ligados a Pedro: as chaves, o galo e a cruz invertida - Igreja Luterana de Cristo, Las Vegas, EUA (http://www.christlutheranlasvegas.org/)


Vitral apresentando Pedro segurando as chaves do Reino; sobre sua cabeça, o galo; sob seus pés, a cruz invertida - Catedral Presbiteriana da Trindade, Sacramento, Califórna, EUA (http://www.trinitycathedral.org/)


Ornamento sacro apresentando a cruz invertida de São Pedro - Igreja Anglicana de São Pedro ad Vincula, Stoke on Trent, Inglaterra (http://www.thepotteries.org/church/stoke/st_peters.htm)


Vitral apresentando as chaves do Reino entre uma cruz invertida - Igreja Cristã dos Discípulos de Cristo, Cleveland Hights, Cheektowaga, Nova Iorque, EUA (http://www.welgoss.com/chcc/secondaryindex.html)


Pedro, no extremo esquerdo do vitral, tem sobre a sua cabeça o símbolo das chaves e uma cruz invertida - Igreja Batista de Broadway, Fort Worth, Texas, EUA (http://www.broadwaybc.org/worship/windows/commission.html)


Para conhecer outras imagens da cruz invertida em templos protestantes e a história completa desta autêntica Tradição da Igreja, acesse o artigo "El Papa Juan Pablo II y su sillón... ¿satánico?", clicando AQUI.

Domingo, 21 de Dezembro de 2008

IMAGENS DE ESCULTURA

A ACUSAÇÃO COMUM:

A Igreja Católica é idólatra porque possui em seus recintos imagens de escultura, as quais foram proibidas pelo 2º Mandamento da Lei de Deus (Êxodo 20).

A VERDADE, CÁ:



"O [1º] Mandamento divino incluía a proibição de toda representação de Deus por mão do homem. O Deuteronômio explica: 'Uma vez que nenhuma forma vistes no dia em que o Senhor vos falou no Horeb, do meio do fogo, não vos pervertais, fazendo para vós uma imagem esculpida em forma de ídolo...' (Dt 4,15-16). Eis aí o Deus absolutamente transcendente que se revelou a Israel. 'Ele é tudo' mas, ao mesmo tempo, ele está 'acima de todas as suas obras' (Eclo 43,27-28). Ele é 'a própria fonte de toda beleza criada' (Sb 13,3).

No entanto, desde o Antigo Testamento [o próprio] Deus ordenou ou permitiu a instituição de imagens que conduziriam simbolicamente à salvação através do Verbo encarnado, como são a serpente de bronze (cf. Nm 21,4-9; Sb 16,5-14; Jo 3,14-15), a arca da aliança e os querubins (cf. Ex 25,10-22; 1Rs 6,23-28; 7,23-26).

Foi fundamentando-se no mistério do Verbo encarnado que o sétimo Concílio ecumênico, em Nicéia (em 787), justificou, contra os iconoclastas, o culto dos ícones: os de Cristo, mas também os da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os santos. Ao se encarnar, o Filho de Deus inaugurou uma nova 'economia' de imagens.



O culto cristão de imagens não é contrário ao primeiro mandamento que proíbe os ídolos. De fato, 'a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo original' (São Basílio, Spir. 18,45), e 'quem venera uma imagem, venera nela a pessoa que nela está pintada' (II Concílio de Nicéia, DS 601; cf. Concílio de Trento, DS 1821-1825; Concílio Vaticano II, SC 126, LG 67). A honra prestada às santas imagens é uma 'veneração respeitosa', e não uma adoração, que só compete a Deus:

'O culto da religião não se dirige às imagens em si como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é imagem' (S. Tomás de Aquino, Suma Teológica 2-2,81,3,ad 3)" (Catecismo da Igreja Católica, §§ 2129-2132).

AS SEMENTES DA VERDADE, LÁ:

I. "Na primavera de 1522 aconteceu, em Wittenberg, o início de uma das maiores catástrofes na história da humanidade. O conselho da cidade determinara a retirada das imagens das igrejas. Quando se começou a executar a decisão dos conselheiros municipais, a multidão reunida na frente da igreja da cidade invadiu o templo, arrancou as imagens das paredes, quebrou-as e terminou por queimar tudo do lado de fora. Em questão de minutos, uma paixão brutal destruiu o que para gerações de cristãos fora objeto de veneração religiosa. (...) Onde os iconoclastas passaram, os templos ficaram como lavouras após uma chuva de granizo. (...)

Igual a uma epidemia o iconoclasmo se alastrava por todas as regiões. (...) E o mais interessante é que são poucos os historiadores que se referem a ele, permitindo que o iconoclasmo continue a ser praticado até os nossos dias. (...) O terrível disso tudo é que cristãos, munidos de machados e martelos, se levantaram contra objetos sacros, em locais consagrados, ante os quais até há pouco se haviam ajoelhado. (...) Cristãos destruíram a linguagem da imagem que durante séculos havia orientado os cristãos. E o culpado pela destruição não foi o povo, mesmo que ele tenha realizado a ação; os culpados foram os pregadores que, a partir do púlpito, incitaram ao iconoclasmo. (...)

O mentor intelectual do iconoclasmo em Wittemberg foi Andreas Bodenstein, de Karlstadt. (...) Ardoroso em sua maneira de ser, mas falho no tocante à reflexão sobre a consequência de seus atos, Karlstadt assumiu a direção do movimento reformatório em Wittemberg enquanto Lutero se encontrava no Wartburgo. (...) No inverno de 1521/22, [Karlstadt] escreveu e publicou livreto com o título 'Da Eliminação das Imagens'. O livro é diminuto, tem poucas páginas, mas teve grandes consequências, provocando a destruição de muitas obras-de-arte. Segundo Karlstadt, não se pode tolerar imagens nas igrejas, pois afrontam o primeiro mandamento. Os 'ídolos de óleo' colocados sobre os altares, são invenção do demônio. Karlstadt tomou posição não somente contra esculturas, mas contra pinturas, a nova tendência na arte do Renascimento e da Reforma. (...) Há autores que consideram Karlstadt o primeiro puritano. Assim, o emergente puritanismo seria responsável pelo iconoclasmo. (...)

Um outro momento parece ser importante para entender a onda iconoclasta: o biblicismo. (...) Na Reforma se expressou a convicção de que somente a palavra havia de vencer. (...) Para o mundo da Reforma, que tomava o cristianismo primitivo como norma e exemplo, não podia haver lugar para a imagem. Não é de se admirar que parte considerável do protestantismo tenha assumido as concepções de Karlstadt e que Calvino tenha em sua 'Institutas' um capítulo dedicado a todos os argumentos que podem ser usados contra as imagens. (...)

Quais as consequências desse fato? O século XVI não mais entendeu a linguagem das imagens e, por isso, as destruiu, produzindo consequências caóticas e cegueira. (...) Com a retirada das imagens do interior das igrejas protestantes destruiu-se o pensamento simbólico tão constitutivo para o cristianismo. E o pensamento simbólico é pensamento religioso propriamente dito. É na linguagem simbólica que se expressa a experiência do espiritual. Quando essa forma de pensamento não-conceitual deixa de ser usada ou é ridicularizada, produz-se a destruição de uma das disposições religiosas do ser humano. Quando se destruíram as imagens, destruiu-se o elemento que deixa o que é cristão transformar-se em sentimento.

A imagem provoca e confirma o pensamento simbólico, sem o qual não se pode imaginar religiosidade viva. Observando imagens religiosas aprendemos a sentir simbolicamente. A melhor forma de introduzir crianças no mundo de concepções cristãs é através de imagens. Quando aprendemos a ver a imagem apenas como 'ídolo', destruímos a percepção para o pensamento simbólico. (...) Quando o ser humano não é mais capaz de pensar e de ver símbolos em uma tradição cristã viva, sua consciência religiosa fica esclerosada. (...)

No início, Lutero tinha dificuldades com as imagens e afirmava que seria melhor se não existissem. (...) Mas quando Karlstadt deu início à onda iconoclasta, nela nada mais viu do que vandalismo, que estava prestes a destruir a liberdade evangélica e a reintroduzir a lei. Por isso, Lutero passou pouco depois a afirmar que imagens são memoriais e testemunhos e como tais devem ser toleradas. Além disso, chegou a afirmar que, se pudesse, mandaria pintar toda a Bíblia dentro e fora das casas. Sua postura em favor da pintura e das imagens tornou-se mais do que evidente desde a publicação dos catecismos (1529).

As imagens movem a fé das crianças e dos simples. A fé cristã não se dirige, para ele, apenas aos ouvidos, mas também aos olhos das pessoas. (...) A arte sacra deve ser meditada, e meditação não é pensamento lógico. Meditar é silenciar para que Deus possa falar. Nos últimos 500 anos, em razão do iconoclasmo, o pecado humano não tem deixado Deus falar; só fala o homem" (DREHER, Martin N. "Coleção História da Igreja", vol. 3. São Leopoldo:Sinodal, 1ª ed., 1996, págs. 53-57).

II. Diversas denominações cristãs expõem para seus fiéis imagens de escultura, como podemos verificar em alguns exemplos:

1. Crucifixo de parede ortodoxo (comercializado pela The Celtic Rebel)



2. Igreja Luterana Cordeiro de Deus (Pleasant Prairie, WI, EUA) - Jesus recebendo o batismo de S. João Batista



3. Igreja Luterana Cristo Ressuscitado (Colorado, EUA) - Crucifixo perpétuo sobre o altar



4. Igreja Anglicana de Todos os Santos (Melbourne, Austrália) - Cristo crucificado tendo ao seu lado sua Mãe Maria e seu discípulo amado João Evangelista



5. Sede da Conferência Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia (Toronto, Canadá) - A Volta de Cristo (cf. Revista Adventista, de Agosto de 2000)



6. Sede da Conferência Geral da IASD (Toronto, Canadá) - Cristo Rei ressuscitado - Revista Adventista (ago/2000)



7. Templo Mórmon (Salt Lake City, UT, EUA) - Estátua de um anjo sobre o templo - Revista "Despertai" (08.11.1995)



III. Conforme o "Minidicionário Soares Amora da Língua Portuguesa" (São Paulo:Saraiva, 18ª ed., 2008):



- IMAGEM = "1. Figura que representa uma pessoa ou um objeto por meio de desenho, pintura, escultura, etc.; 2. Estampa que representa ordinariamente um assunto religioso; 3. Reflexo no espelho, na água, numa superfície polida; 4. Símbolo, figura".

- ESCULTURA = "1. Arte [humana] de esculpir, estatuária; 2. Obra de escultor".

- ESCULPIR = "1. Gravar, entalhar; 2. Deixar gravado, imprimir".

A partir destes simples conceitos objetivos, é possível afirmar categoricamente que até mesmo uma simples cruz (sem a imagem do crucificado) - confeccionada por arte humana em madeira, ferro ou qualquer outro material que proporcione uma visão em 3ª dimensão (isto é, com altura, largura e profundidade) - pode ser considerada como uma autêntica e legítima "imagem de escultura".

Neste sentido, boa parte das denominações cristãs (inclusive as acima exemplificadas) ostentam esta simples imagem de escultura à vista de todos os seus fiéis:

1. Culto público em uma Igreja Universal do Reino de Deus (Vera Cruz, México)



2. Culto público em uma Igreja Metodista (Ubatuba-SP, Brasil)



3. Culto público em uma Igreja Presbiteriana (Bebedouro-Arazede, Portugal)



4. E, para fechar com chave de ouro: Cruz decorada para culto de Páscoa na 1ª Igreja Congregacional de Webster Groves (EUA)



e os exemplos poderiam se multiplicar ao infinito...

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

A PRESENÇA DOS LIVROS DEUTEROCANÔNICOS DO A.T. NA BÍBLIA

A ACUSAÇÃO COMUM:

"A Igreja Católica acrescentou diversos livros apócrifos (=deuterocanônicos) no Antigo Testamento da Bíblia durante o Concílio de Trento (século XVI d.C.), para combater e desmentir as doutrinas protestantes".

A VERDADE, CÁ:



"Verifica-se que a própria Bíblia, da qual os cristãos depreendem as verdades da fé, não tem a mesma extensão ou o mesmo catálogo (cânon) entre católicos e protestantes. É notório que sete livros do Antigo Testamento (Tobias, Judite, Baruc, Eclesiástico ou Sirácida, Sabedoria, 1 e 2Macabeus), além de fragmentos de outros livros, se encontram na Bíblia dos católicos e não na dos protestantes. (...)



Os cristãos, desde o início da sua história, usaram a edição grega dos LXX [Setenta]. Os Apóstolos mesmos, escrevendo os Evangelhos e as suas cartas, referem o Antigo Testamento não segundo o texto hebraico, mas recorrendo à versão dos LXX. Das 350 citações do Antigo Testamento que ocorrem no Novo, 300 são tiradas do texto alexandrino (mesmo quando este diverse acidentalmente do hebraico; cf. Hb 10,5-7; Mt 1,23). Ora, os Apóstolos eram os guardas do depósito da fé. Por conseguinte, se a edição bíblica dos LXX (que continha os deuterocanônicos de permeio aos protocanônicos) fosse infiel ou deturpada, os Apóstolos não a teriam utilizado. O procedimento abalizado dos Apóstolos foi adotado pelas seguintes gerações de cristãos; o catálogo dos LXX devia assim tornar-se o catálogo dos cristãos; (...) ele representa a linha autêntica da fé judaica. (...)



Nos dois primeiros séculos [do Cristianismo], os deuterocanônicos eram considerados como 'Escritura' juntamente com os protocanônicos; não se encontra vestígio de dúvida a respeito de sua autoridade nem nas obras dos escritores cristãos nem nos monumento da arqueologia [Didaqué, Clemente de Roma, Epístola de Barnabé, Policarpo de Esmirna, Inácio de Antioquia, Justino de Roma, Atenágoras de Atenas, afrescos em catacumbas etc.]. (...)



A unanimidade da Tradição cristã concernente aos deuterocanônicos nos dois primeiros séculos é particularmente digna de nota pelo fato de que a Igreja não tomara decisão oficial a respeito do cânon das Escrituras Sagradas. (...)



A autoridade da Igreja proferiu definições oficiais do catálogo bíblico em concílios regionais realizados na África setentrional; assim, no de Hipona em 393, nos de Cartago III e IV, em 397 e 418. O Papa Inocêncio I, em uma carta dirigida a Exupério, bispo de Tolosa, em 450, apresentou também o cânon bíblico com seus livros deuterocanônicos todos. (...) Os cristãos orientais definiram seu catálogo bíblico, incluindo os deuterocanônicos no Concílio de Trulo em 692. (...) O Concílio de Florença, em 1441, professou solenemente o catálogo completo dos livros sagrados. O mesmo se deu com o Concílio de Trento aos 8 de abril de 1546. O Concílio do Vaticano I (1870) e o do Vaticano II (1965) reafirmaram a mesma definição, mantendo continuidade com os Apóstolos e os primeiros séculos do pensamento cristãos.



Através destes dados históricos, verifica-se com clareza: não foi o Concílio de Trento que introduziu na Bíblia os livros deuterocanônicos. Eles já estavam em uso comum na Igreja, tanto que Lutero, quando traduziu a Bíblia para o alemão em 1534 (antes do Concílio de Trento), não se furtou a verter também aqueles escritos; verdade é que os colocou em apêndice à sua edição, com o título de 'Apócrifos', isto é, livros que não devem ser estimados como a Escritura Sagrada, mas que são bons e se podem ler com utilidade" (BETTENCOURT, Estêvão Tavares. "Diálogo Ecumênico: Temas Controvertidos". Rio de Janeiro:Lumen Christi, 3ª ed., 1989, pp. 17-21).



Isso explica o porquê de tais livros já se encontrarem, inclusive, na Bíblia de Gutemberg, impressa cerca de 100 anos antes da Reforma Protestante, como demonstram as imagens ao longo desta seção (a Bíblia de Gutemberg pode ser acessada e integralmente consultada na Biblioteca Britânica, neste LINK.

AS SEMENTES DA VERDADE, LÁ:

I. Martinho Lutero incluiu os deuterocanônicos em sua tradução da Bíblia para o alemão, publicada em 1534 (como demonstra a seguinte imagem, da Bíblia de Lutero, que apresenta o início do livro de Tobias):



A Bíblia de Lutero não é "caso isolado". As primeiras Bíblias protestantes em inglês também traziam os deuterocanônicos, como se vê a seguir:

1. A "Bíblia de Tyndale" (também conhecida como "Bíblia de Matthews"), de 1537 a 1551:



2. A "Grande Bíblia" de Coverdale (também conhecida como "Bíblia de Cromwell" ou "Bíblia de Cranmer"), de 1539 a 1541:



3. A "Bíblia de Geneva" (usada pelos Puritanos que vieram para a América e citada milhares de vezes por Shakespeare), de 1560 a 1617:



4. A "Bíblia do Bispo" (publicada oficialmente pela Igreja Anglicana em resposta à "Bíblia de Geneva"), de 1568 a 1582:



5. A "King James Version", de 1611 em diante (só a partir de 1824 é que algumas editoras protestantes passam a omitir os deuterocanônicos de suas Bíblias):



II. "Na Igreja Primitiva as escrituras judaicas eram conhecidas, não em hebraico, mas numa tradução grega chamada 'Septuaginta', dos setenta (Septuaginta) anciãos que a tradição judaica ensina haver realizado a obra de tradução. (...) E a Bíblia grega não somente desordenou os livros da Bíblia hebraica; ela na realidade acrescentou outros livros não contidos na Bíblia hebraica, os chamados 'Apócrifos'. (...)

A grande Bíblia da Idade Média era a Vulgata, a tradução latina produzida por São Jerônimo quase no fim do quarto século (...) [A] ordem comum [dos livros] foi aquela finalmente fixada pela invenção da imprensa, pois o primeiro grande livro impresso foi a Bíblia latina de 42 linhas, produzida em Mainz por volta de 1456.

Mas a Bíblia latina já havia sido traduzida em alemão, na Boêmia, no quarto século, e em inglês por Wyclif e seus auxiliares em 1382-1388. Ambas essas traduções seguiram a ordem latina, tendo os livros Apócrifos espalhados por todo o Velho Testamento.

A nova tradução de Lutero para o alemão, terminada em 1534, foi baseada no hebraico e no grego. e quandpo ele havia terminado o Novo Testamento Grego (1522) e o Velho Testamento Hebraico, ainda permaneciam os livros das Bíblias antigas que se encontravam no Velho Testamento latino mas não no hebraico. Estes, Lutero traduziu por último, como os livros Apócrifos, agrupando-os pela primeira vez sob esse nome, e colocando-os no final do Velho Testamento. Esta foi uma excessiva reorganização dos livros do Velho Testamento - o maior passo jamais dado na reorganização da ordem dos livros da Bíblia, mas que nunca vingou. (...)

Esses livros associaram-se no Egito aos livros do Velho Testamento já traduzidos e assim passaram a fazer parte do Velho Testamento grego, a chamada Versão dos Setenta. E, quando esta versão tornou-se a Bíblia da Igreja Primitiva, esses livros vieram com ela.

Assim os livros Apócrifos, como costumeiramente são chamados, espalharam-se através da Bíblia grega da Igreja Primitiva, e daí passaram para a Bíblia latina antes e depois do trabalho de revisão de Jerônimo. Eles passaram naturalmente, como já vimos, para a primitiva tradução germânica da Bíblia latina, feita na Boêmia, no século catorze, e também para a tradução inglesa feita por Wyclif e seus auxiliares em 1382-88. (...)

Há perigo em ficar-se com uma falsa apreciação da história religiosa cristã e judaica se tentarmos passar diretamente do Velho Testamento [hebraico] ao Novo omitindo os livros Apócrifos. Eles fizeram parte dos fundamentos literários do movimento cristão. Eles nos introduzem a personagens dramáticas do Novo Testamento - santos e pecadores, fariseus e saduceus, anjos e demônios. Sua influência se exerceu em cada livro do Novo Testamento. Talvez o que de mais instrutivo eles têm para nós é o contraste entre a atitude cristã e farisaica que eles mesmos fizeram possível" (GOODSPEED, Edgar J. [Metodista]. "Como nos Veio a Bíblia?". São Paulo:Imprensa Metodista, 3ª ed., 1981).

"A palavra 'Apócrifo' (...) se refere aos livros que em certa época foram cogitados para integrar o cânon do Velho Testamento. Embora nenhum deles tenha sido aceito na Palestina como parte do cânon hebraico das Escrituras, foram mantidos juntos dos rolos das Escrituras gregas da Septuaginta.

Os primeiros cristãos encontraram esses livros quando adotaram a Septuaginta como sua Bíblia e os incluíram nela" (BATCHELOR, Mary [Protestante]. "A Bíblia em Foco: introdução passo a passo aos livros sagrados".São Paulo:Melhoramentos, 1ª ed., 1995, p. 96).

"A Septuaginta (LXX), tradução do Antigo Testamento em grego, feita entre 280 a.C. e 180 a.C., contém os Apócrifos. (...)

[A Septuaginta] é, talvez, a mais importante das versões, por sua data antiga e influência sobre outras traduções. (...) 'Septuaginta' significa 'setenta'. A abreviação desta versão é LXX. Ela é às vezes chamada de 'Versão Alexandrina', por ter sido traduzida na cidade de Alexandria, no Egito. (...) Além dos 39 livros do Antigo Testamento, ela contém todos, ou parte, dos 14 livros conhecidos como Apócrifos. A Septuaginta foi comumente utilizada nos dias do Novo Testamento e mostrou-se muito útil em traduções subseqüentes" (DUFFIELD, Guy P.; VAN CLEAVE, Nathaniel M. [Protestantes Pentecostais]. "Fundamentos da Teologia Pentecostal", Volume 1. São Paulo:Marli de Souza, 1ª ed., 1991, pp. 11 e 44).

"O vocabulário 'Apócrifo' (...) aplica-se genericamente a uma série de livros surgidos no período entre o Antigo e o Novo Testamento. Os livros apócrifos (...) chegaram até nós de certo modo unidos aos livros canônicos da Bíblia. (...) Os judeus da dispersão no Egito revelaram alta estima por esses escritos e os incluíram na tradução do Antigo Testamento para o grego, chamada 'Septuaginta'. (...)

Segundo o escritor Aristeas, a tradução grega [do Antigo Testamento hebraico] foi feita por setenta e dois sábios judeus (daí o seu nome 'Septuaginta'), na cidade de Alexandria, a partir de 285 a.C., a pedido de Demétrio Falario, bibliotecário do rei Ptolomeu Filadelfo. Concluída 39 anos mais tarde, essa versão assinalou o começo de uma grande obra que, além de preparar o mundo para o advento de Cristo, deveria tornar conhecida de todos os povos a Palavra de Deus. Na Igreja Primitiva, era essa a versão conhecida de todos os crentes" (AUTORES VÁRIOS, "Bíblia de Referência Thompson" [Protestante]. São Paulo:Vida, 1ª ed., 1996, pp. 1375 e 1377).