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sábado, 8 de janeiro de 2011

O QUE DISSE O PAPA SOBRE OS PRESERVATIVOS?

O novo livro de Bento XVI, "Luz do Mundo: o Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos", nem sequer tinha sido publicado e já estava no centro de uma controvérsia nos meios de comunicação on-line.

A polêmica explodiu na semana passada, quando o L'Osservatore Romano violou unilateralmente o embargo sobre o livro, publicando alguns extratos em língua italiana das diversas declarações do Papa, para grande desgosto dos editores em todo o mundo, que trabalhavam cuidadosamente visando um lançamento orquestrado do livro, que se daria na terça-feira seguinte.

Um dos extratos tratava do uso de preservativos para tentar evitar a propagação da AIDS e a imprensa imediatamente tirou proveito disto (p.ex.: Reuters, Associated Press, BBC Online). E assim, surgiram manchetes como:

- Papa diz que os preservativos são admissíveis em certos casos para deter a AIDS
- Papa: "Os preservativos justificam-se em alguns casos"
- Papa diz que os preservativos podem ser usados na luta contra a AIDS

Particularmente notória é a declaração de William Crawley, da BBC:

"O Papa Bento XVI parece ter alterado a postura oficial do Vaticano sobre o uso de preservativos, adotando uma posição moral que muitos teólogos católicos já recomendavam há muito tempo".

Bah!

Pois bem: em primeiro lugar, trata-se de um livro de entrevistas. O Papa foi entrevistado. Não estava exercendo seu múnus oficial de ensinar. Este livro não é uma encíclica, uma constituição apostólica, uma bula papal, nem nada semelhante. Não é uma publicação da Igreja. Trata-se de uma entrevista realizada por um jornalista, em idioma alemão. Consequentemente, o livro não representa um ato do Magistério da Igreja, nem tem a capacidade de "alterar a postura oficial do Vaticano" em nada. Não possui força dogmática nem canônica. O livro - que é fascinante e sem precedentes, mas isto é tema para outra oportunidade - constitui aquilo que se classifica como opiniões pessoais do Papa sobre as perguntas questionadas pelo entrevistador Peter Seewald.

E como o Papa Bento XVI observa no livro:

"Há que se dizer que o Papa pode ter opiniões privadas que se encontram equivocadas".

Não estou assinalando isto para insinuar que naquilo que o Papa Bento XVI fala a respeito dos preservativos está incorreto - chegaremos a este ponto ao seu tempo - mas para indicar o contexto da situação, deixando claro que se trata das opiniões privadas do Papa. São apenas isto: opiniões privadas. Não é ensino oficial da Igreja. Então, continuemos...

Entre os desserviços do L'Osservatore Romano feitos para romper o embargo do livro da maneira que fez, houve também o fato de que apenas publicou um pequeno trecho da seção em que o Papa discutia sobre o uso dos preservativos. Como resultado, o leitor não tinha como ver o contexto das suas declarações e, assim, garantir que a imprensa secular não estava tomando as observações do Papa fora do seu contexto (o que seria feito de qualquer modo, mas talvez nem tanto). Especialmente notório é o fato de que o L'Osservatore Romano omitiu o material onde Bento esclarece sua declaração sobre os preservativos, em uma pergunta logo a seguir.

Com efeito, o L'Osservatore Romano causou um grande dano tanto às comunidades católicas quanto às não-católicas.

Felizmente, agora você pode ler o texto completo das declarações do Papa.

Ademais, prevendo a controvérsia que estas palavras poderiam produzir, a drª. Janet Smith preparou um guia útil sobre o que o Papa disse e não disse.

Lancemos vista aos comentários do Papa, para ver o que ele realmente disse.

"Seewald: (...) Na África, se apontou que o ensino tradicional da Igreja demonstrou ser a única maneira segura de se deter a propagação do HIV. Os críticos, incluindo a crítica dentro das próprias fileiras da Igreja, objetam que é uma loucura proibir a população de alto risco de usar preservativos. Bento XVI: (...) Em minha intervenção, eu não estava fazendo uma declaração geral sobre o tema do preservativo, mas apenas dizendo - e isto é o que causou grande ofensa -, que não podemos resolver o problema mediante a distribuição de preservativos. Resta muito o que fazer. Devemos estar próximos das pessoas; devemos guiá-los e ajudá-los; e temos que fazer isto antes e depois do contágio com a doença. É um fato, como você já sabe, que as pessas podem obter preservativos quando o desejarem, de qualquer modo. Porém, isto serve apenas para demonstrar que os preservativos por si próprios não resolvem o problema em si mesmo. Muito mais precisa ser feito. Enquanto isso, no âmbito secular, desenvolveu-se a teoria chamada 'ABC' - abstinência, fidelidade, preservativo -, em que se entende o preservativo somente como um último recurso, quando os outros dois pontos foram rejeitados. Isto quer dizer que concentrar-se no preservativo implica em uma banalização da sexualidade, e, além de tudo, é precisamente a origem perigosa da atitude da sexualidade, não como a expressão do amor, mas como uma espécie de entorpecente que as pessoas administram a si mesmas. Esta é a razão pela qual a luta contra a banalização da sexualidade é parte também da luta para garantir que a sexualidade seja tratada como um valor positivo e para que possa ter um efeito positivo na totalidade de ser do homem". Consideremos que o argumento geral do Papa é que os preservativos não resolvem o problema da AIDS. Em apoio disto, ele aponta vários argumentos:

1) As pessoas já podem obter preservativos, mas é evidente que o problema não foi resolvido.

2) No mundo secular foi proposto o 'Programa ABC', em que o preservativo só será usado quando os dois primeiros procedimentos verdadeiramente eficazes - a abstinência e a fidelidade - tiverem sido rejeitados. Assim, a proposta secular do ABC reconhece inclusive que os preservativos não são a única solução. Eles não funcionam tão bem quanto a abstinência e a fidelidade. Os dois primeiros são melhores.

3) Concentrar-se no uso do preservativo representa uma banalização (trivialização) da sexualidade, que se converte de ato de amor em ato de egoísmo. Para que o sexo desempenhe o papel positivo que deve ter, esta banalização do sexo - e, portanto, a fixação nos preservativos - deve ser resistida.

Esse é o contexto da afirmação que a imprensa reproduziu:

"Pode haver casos individuais justificados como, por exemplo, quanto um prostituto usa um preservativo, e isto pode ser um primeiro passo para uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade para desenvolver novamente a consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer. Porém, não é realmente a maneira de tratar com o mal da infecção pelo HIV, o que realmente pode apenas vir de uma humanização da sexualidade".
Há várias coisas a se considerar: em primeiro lugar, leve em conta que o Papa diz que: "Pode haver casos individuais justificados", e não que: "Está justificado". Esta é uma linguagem especulativa. Mas sobre o quê o Papa especula? Que o uso do preservativo está moralmente justificado? Não, não foi isso o que ele disse, mas que pode haver casos "sempre e quando [o uso do preservativo] pode ser um primeiro passo para uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade para desenvolver novamente a consciência de que nem tudo é permitido".

Em outras palavras, como diz Janet Smith:

"O Santo Padre está simplesmente observando que para alguns prostitutos homossexuais o uso de um preservativo pode indicar um despertar do sentido moral, um despertar acerca de que o prazer sexual não é o valor máximo, mas que devemos ter o cuidado de não prejudicar ninguém em nossas escolhas. Ele não está falando de uma moralidade do uso de preservativos, mas de algo que pode ser certo sobre o estado psicológico daqueles que os usam. Se estas pessoas, usando preservativos, o fazem com o fim de evitar prejudicar outras, com o passar do tempo perceberão que os atos sexuais entre membros do mesmo sexo são intrinsecamente maus, já que não estão de acordo com a natureza humana".
Pelo menos isto é o máximo que se pode razoavemente inferir das declarações do Papa, o que poderia ser expresso com maior clareza (e espero que o Vaticano emita um esclarecimento urgente).

Em segundo lugar, repare que o Papa segue imediatamente sua declaração acerca da prostituição homossexual usuária de preservativos com a afirmação: "Porém, não é realmente a maneira de se tratar com o mal da infecção pelo HIV, o que realmente pode apenas vir de uma humanização da sexualidade".

Por "uma humanização da sexualidade", o Papa quer reconhecer a verdade sobre a sexualidade humana, que deve ser exercida de maneira amorosa, fiel entre um homem e uma mulher unidos em matrimônio. Esta é a verdadeira solução e não colocar um preservativo e manter relações sexuais promíscuas com pessoas infectadas com um vírus mortal.

Neste momento da entrevista, Seewald faz uma pergunta de continuidade, e é verdadeiramente um crime que o L'Osservatore Romana não tenha reproduzido esta parte:

"Seewald: Quer dizer, então, que a Igreja Católica, na realidade, não se opõe em princípio ao uso dos preservativos? Bento XVI: Ela, obviamente, não os considera como solução real ou moral, porém, neste ou em outro caso, pode haver, todavia, a intenção de reduzir o risco da infecção, como um primeiro passo para uma forma distinta e mais humana de viver a sexualidade". Assim, Bento XVI reitera que esta não é uma solução real (prática) para a crise da AIDS, nem tampouco uma solução moral. No entanto, em alguns casos, o uso de preservativo mostra "a intenção de reduzir o risco da infecção", que é "um primeiro passo para... uma forma mais humana de viver a sexualidade".

Portanto, não está dizendo que o uso de preservativos é justificado, mas que pode mostrar uma intenção particular e que esta intenção é um passo na direção correta.

Janet Smith oferece uma analogia útil:

"Se alguém fosse assaltar um banco e estava decidido em empregar uma arma de fogo, seria melhor para essa pessoa usar uma arma desmuniciada: reduzir-se-ia o risco de lesões mortais. Porém, não é tarefa da Igreja ensinar possíveis assaltantes de banco a assaltar bancos de uma maneira mais segura; menos ainda é tarefa da Igreja apoiar programas para oferecer a possíveis assaltantes de banco armas de fogo incapazes de ser municiadas. Não obstante, a intenção de um assaltante de banco em assaltar um banco de uma maneira que é mais segura para os funcionários e clientes do banco pode indicar um elemento de responsabilidade moral que poderia ser um passo para a compreensão final da imoralidade que é o assalto a bancos". Muito mais se poderia dizer de tudo isto, mas pelo que vimos, já resta claro que as declarações do Papa devem ser lidas com cuidado e que não constituem o tipo de licença para o uso de preservativos que os meios de comunicação desejam.

Há mais por vir...

Autor: José Miguel Arráiz
Fonte: http://infocatolica.com/blogspot/apologeticamundo
Tradução: Carlos Martins Nabeto

sábado, 25 de dezembro de 2010

O QUE É RELATIVISMO?


Você e eu possuímos verdades diferentes? Você tem algum direito de me impor os seus valores? Conheça o perigo de se aceitar uma tendência que entende inexistentes as normas de conduta universais para todos os seres humanos

"As condições de sobrevivência da humanidade não estão sujeitas a votação; são como são" (Robert Spaemann)

EXISTEM VALORES ABSOLUTOS?

Diz Peter Kreeft que certo dia, durante uma de suas aulas de ética, um aluno disse-lhe que a moral era algo relativo e que ele, como professor, não tinha o direito de impor [aos outros] os seus valores.

"Bem, - respondeu Kreeft, para iniciar um debate sobre aquela questão - vou então aplicar à classe os seus valores e não os meus. Você diz que não há valores absolutos e que os valores morais são subjetivos e relativos. Já que as minhas ideias pessoais são um tanto singulares em alguns aspectos, a partir deste momento vou aplicar esta: todas as alunas estão suspensas".

O aluno ficou surpreso e protestou, dizendo que aquilo não era justo.

Kreeft lhe perguntou: "Para você, o que significa 'ser justo'? Porque se a justiça é apenas o meu valor ou o seu valor, então não existe nenhuma autoridade comum entre nós dois. Eu não tenho o direito de impor para você o meu sentido de justiça, mas você também não pode me impor o seu...".

"Portanto, apenas se existir um valor universal chamado 'justiça', que prevaleça sobre nós, você poderá apelar a ele para julgar injusto que eu suspenda todas as alunas. Mas se não existirem valores absolutos e objetivos fora de nós, você apenas poderia me dizer que os seus valores subjetivos são diferentes dos meus e nada mais".

"No entanto - continuou Kreeft - você não está me dizendo que não gosta do que eu faço, mas que é 'injusto'. Ou seja, que quando você parte para a prática, então acredita em valores absolutos".


NÃO ME IMPONHA A SUA VERDADE

Os relativistas e os céticos consideram que aceitar qualquer crença é algo servil, uma torpe escravidão que coage a liberdade de pensamento e impede uma forma de pensar elevada e independente.

No entanto - como dizia C. S. Lewis - ainda que um homem afirme não crer na realidade do bem e do mal, mais cedo ou mais tarde o veremos contradizer-se na vida prática. Por exemplo: uma pessoa pode não cumprir sua palavra ou não respeitar o combinado, argumentando que isto não tem importância e que cada um deve organizar sua vida sem pensar em teorias. Porém, o mais provável é que não demore muito em argumentar, referindo-se a outra pessoa, que é indigno que ela não tenha cumprido [para com ele] as suas promessas.

Quando os defensores do relativismo falam em defesa dos seus direitos, costumam a se desprender de todo o seu relativismo moral e condenar categoricamente a objetiva imoralidade daqueles que pretendem causar-lhes dano. E se alguém lhes rouba a carteira, ou lhes acerta um tapa, o mais provável é que esqueçam o seu relativismo e assegurem - sem qualquer relativismo - que isso é algo muito mal, diga o que disser quem quer que seja (sobretudo se quem o diz é o próprio ladrão ou agressor). Ora, se a palavra dada não tem importância, ou se não existem coisas tais como o bem e o mal, ou se não existe uma lei natural, qual é a diferença entre algo justo ou injusto? Por acaso não se contradizem ao mostrar que, apesar do que afirmam, na vida prática reconhecem que existe uma lei da natureza humana?

O relativismo, ao não possuir uma referência clara à verdade, conduz à confusão global do que está certo e do que está errado. Se se analisam com um pouco mais de detalhes as suas argumentações, é fácil advertir - como explicar Peter Kreeft - que quase todas costumam a se autorefutarem:

- "A verdade não é universal" - exceto esta verdade?

- "Ninguém pode conhecer a verdade" - exceto você, pelo que parece.

- "A verdade é incerta" - mas não é incerto também esta sua afirmação?

- "Todas as generalizações são falsas" - e esta também?

- "Você não pode ser dogmático" - com esta mesma afirmação você está demonstrando ser bem dogmático.

- "Não me imponha a sua verdade" - agora é você quem está me impondo as suas verdades.

- "Não há absolutos" - absolutamente?

- "A verdade é apenas uma opinião" - na sua opinião, pelo que vejo.

Etcetera ad nauseam...


O BOXEADOR QUE NUNCA SOBE AO RINGUE

Quando alguém diz que é muito difícil ou quase impossível saber o que é verdade ou mentira, o que é bom ou mau, porque garante que tudo é relativo, adota uma cômoda postura em que simplesmente não precisa argumentar nada. Resolve qualquer debate ou discussão séria porque nega o seu pressuposto. Por isso, dizia Wittgenstein, é como um boxeador que nunca sobe ao ringue.

Ao invés de subir ao ringue, o que costuma a fazer na prática é, em um descuido retórico, fazer valer a sua própria verdade e o seu próprio conceito de bem. Isto porque também ele guarda muitas certezas, ainda que talvez não as tenha percebido, por estar demasiadamente ocupado em acusar os outros de dogmatismo.

O que o relativista costuma a olhar com suspeita não são as certezas, mas as certezas dos demais.

Deixar-se-iam operar por um médico-cirurgião se não estivessem seguros de sua competência [médica]? Embarcariam em um avião de certa companhia aérea se fossem manifestadas incertezas acerca da segurança daquele voo? Todo homem, por natureza, busca sempre as certezas.

Segundo Christopher Derrick, a apoteose do relativismo pode ser devida a essa impressão - vaga, porém persuasiva - de que expressar dúvida é um sinal de modéstia e democracia, enquanto que falar de certezas se considera como dogmático e quase ditatorial.

No entanto, o relativismo não pode ser levado às últimas consequências. Por isso, Ortega dizia que:

"O relativismo é uma teoria suicida, pois quando se aplica a si mesma, morre. Na maioria das vezes, o relativismo é uma espécie de posse acadêmica, uma cômoda evasão da realidade".


DÃO NO MESMO TODAS AS RELIGIÕES?

Charles Moore, diretor do "Sunday Telegraph", relatou há alguns anos sua conversão ao Catolicismo.

Moore procurava a verdadeira religião, ante o assombro de seus amigos que lhe diziam que todas as religiões são iguais e que a única coisa importante era o desejo de fazer o bem. Ele discordava completamente e respondia:

"Isso seria como se alguns médicos se reunissem em torno de um paciente e concluíssem: 'Bom, todos nós queremos que ele melhore; portanto, todos os [diferentes] tratamentos que lhe prescrevermos serão igualmente bons'. No entanto, é óbvio que isto não ocorre. Encontrar o tratamento adequado pode ser questão de vida ou morte".

É certo que pessoas de religiões diferentes recebem alento de suas [respectivas] crenças e o ensinamento para se tornarem melhores. Todas as religiões distintas da verdadeira contêm e oferecem elementos de religiosidade, que procedem de Deus e que refletem um lampejo daquela Verdade que ilumina todos os homem. Porém, a partir disso deduzir que todas as religiões são iguais, que dá na mesma tanto uma quanto outra, seria deduzir ao excesso.

Na hora de escolher a religião, deve-se perguntar sobretudo qual das portas é a verdadeira e não qual delas nos agrada mais por seus enfeites ou atrações externas.

Não basta a boa intenção, já que não se pode esquecer quanto mal ocorreu na História em nome de opiniões e boas intenções.

Cada homem tem a obrigação - e também o direito - de buscar a verdade em matéria religiosa, a fim de que, empregando os meios adequados, chegue a formar juízos de consciência retos e verdadeiros.

- Então o que importa para a salvação é viver conforme a própria consciência...

Quando se fala em viver conforme a consciência, alguns o compreendem como um simples viver segundo o que cada um subjetivamente pensa, como se nas questões religiosas e morais não houvesse nada objetivo. Porém, nem sempre basta seguir a consciência, já que às vezes a sua voz pode ser afogada ou ainda equivocada. Por exemplo: Hitler escreveu, poucas horas antes de morrer, que não se arrependia de nada, que de nada pedia perdão porque afirmava seguir de boa fé a sua consciência...

A consciência não é um simples reduto do subjetivismo, mas o lugar onde se da a abertura do homem para a verdade, para Deus. O homem, se procura, tem possibilidade de conhecer o caminho que o conduz à verdade.

E obedecer à consciência nesse caminho pode exigir um grande esforço. Supõe não deixar-se guiar apenas pelo que lhe agrada, mas olhar ao redor, purificar-se e ter o ouvido atento para ouvir a voz de Deus, para colocar-se a caminho da verdade.

Somente assim se pode compreender no que consiste a grandeza da fé. E as diferentes religiões podem subministrar elementos que nos conduzem a esse caminho, mas que também podem nos desviar dele.

- Então a Igreja não admite que o Cristianismo seja mais uma via de salvação entre muitas outras [vias]?

A Igreja sustenta que Jesus Cristo não é simplesmente um guia espiritual, ou um caminho a mais para Deus entre muitos outros, mas sim o único caminho de salvação.

- Mas isso não é uma afirmação um tanto arrogante de parte da Igreja?

Acredito que não. O natural é que fiel muçulmano reconheça Maomé como profeta, ou que um fiel judeu escute a Torah como Palavra de Deus. O que diz a Igreja Católica não supõe menosprezo nem falta de consideração pelas outras confissões religiosas. Afirma que Jesus Cristo é o único caminho de salvação, mas também diz claramente que Deus salva os não-cristãos que se fazem merecedores disto.

A salvação - para se dizer de um modo um tanto quanto informal - é monopólio de Deus e não dos cristãos. Deus dá a todos os homens luz e auxílio para se salvarem, fazendo-o de maneira adequada à situação interior e ambiental de cada um.

Autor: Anônimo
Fonte: www.encuentra.com
Tradução: Carlos Martins Nabeto

sábado, 18 de dezembro de 2010

Igreja Católica: Construtora da Civilização - Episódio 9: A Moralidade Ocidental









Apresentação: Dr. Thomas E. Woods Jr.
Produção: EWTN - Ethernal Word Television Network
Tradução e Legendas: Kandungus